RIO – Após uma dança das cadeiras nas parcerias entre empresas áereas americanas e brasileiras, a Gol e a American Airlines anunciaram nesta terça-feira um acordo de codeshare.

  • quando uma companhia pode vender assentos em voos operados pela parceira — ampliando a oferta de ligações entre Estados Unidos e Brasil, o que permitirá também à americana avançar em destinos na América do Sul.

A American anunciou também que terá um voo sazonal entre Rio e Miami, além da ligação regular, entre 7 de janeiro e 28 de março de 2021. A operação será feita com um Boeing 787-8, que tem 507 assentos.

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O anúncio põe fim a negociações iniciadas depois que a também americana Delta Air Lines anunciou em setembro passado que venderia sua fatia de 12% das ações preferenciais da Gol para adquirir um naco de 20% do capital da Latam.

A American passou um longo período costurando a criação de uma joint-venture com a companhia chilena, que acabou barrado pelos órgãos reguladores da concorrência do país.

Delta e Latam também anunciaram um acordo voos operados em código compartilhado entre EUA e América do Sul. Em dezembro passado, a americana vendeu sua fatia na Gol por cerca de R$ 1,15 bilhão.

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O interesse das grandes voadoras dos EUA no Brasil é crescente. A United já é parceira da Azul e, segundo fontes de mercado, as duas empresas vêm conversando sobre ampliar suas relações.

— O acordo de céus abertos assinado entre Brasil e EUA foi um primeiro passo para reforçar as parcerias entre companhias dos dois países. Agora, com a recuperação da economia brasileira, as americanas virão reforçar frequências e garantir competitividade — destaca Alessandro Oliveira, especialista do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

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O acordo deve ajudar a Gol a acelerar seus planos de expansão, segundo o presidente da empresa aérea, Paulo Kakinoff: “Fortalecerá nossa presença nos mercados externos e irá acelerar nosso crescimento no longo prazo”, disse ele em comunicado distribuído na manhã desta terça-feira.

— A complementaridade de destinos é uma vantagem clara, porque amplia o mercado de atuação da Gol. E mais competição é sempre bom, pode estimular mudanças no preço das tarifas — observa Jorge Leal Medeiros, professor da Poli-USP e especialista em aviação.

Maior oferta de voos internacionais

A American tem interesse em crescer também na América do Sul, utilizando ligações da Gol para destinos como Assunção, Montevidéu e Mendoza. Além de novos destinos no Brasil para a companhia americana como Curitiba e Foz do Iguaçu.

Outro pilar nessas negociações, continua Medeiros, é a participação nas grandes alianças globais de aviação.

— American e Latam participam da OneWorld, enquanto a Delta está na SkyTeam. Imagino que venha alguma mudança nesse cenário, por conta da parceria da Latam com a Delta. A Gol e a Azul não estão em nenhuma das alianças globais, o que também tem vantagens. Mas suas parceiras estão, o que é importante.

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A Gol atende 88 destinos no Brasil e 16 no exterior, além de contar com outros 149 destinos operados por meio de codeshare. Seus principais pontos de conexões com voos da American serão as cidades de Orlando e Miami, na Flórida.

Em oferta de voos internacionais, a Gol vem em terceiro lugar entre as principais concorrentes brasileiras, com 12% de participação de mercado. Fica atrás de Latam, com 65,5%, e Azul, com 22,5%, segundo dados de dezembro apurados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Líder no mercado de aviação americano, a American é também a principal companhia no aeroporto de Miami, um de seus pontos de distribuição de voos nos EUA. De lá, os passageiros da Gol poderão embarcar em 540 operações da parceira.

As duas empresas estão entre as afetadas pela paralisação das atividades com o Boeing 737 Max, ocorrida após dois acidentes fatais com aviões da série da fabricante americana.

— Para a Gol, por conta das restrições que têm pela paralisação dos Boeing 737-Max (que seriam usados para operar voos internacionais), faz todo sentido partir para alianças como esta. Não pode ficar isolada. Uma companhia abre seu mercado doméstico para a outra, traz mais serviços, oportunidades em turismo e negócios — diz Oliveira, do ITA.

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Em breve, o acordo firmado entre Gol e American incluírá mais de 30 destinos nos Estados Unidos, diz Eduardo Bernardes, vice-presidente comercial e de marketing da brasileira. Entre eles estão Washington, Nova York, Houston, Boston, Los Angeles e Las Vegas.

A operação em codeshare depende ainda da aprovação dos órgãos reguladores da concorrência de Brasil e EUA. O acordo permitirá acumular e resgatar milhas nos programas de fidelidade das duas companhias aéreas, o Smiles e o AAdvantage.

Também nesta terça-feira, a Gol anunciou convocações para realizar assembleias dos acionistas da companhia e do Smiles, marcadas para o dia 5 de março, para tratar da reorganização societária que foi proposta no fim do ano passado.

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