Com os boicotes que antecederam a cúpula organizada pelos EUA, Bolsonaro se tornou o principal mandatário presente

Papel chave do Brasil

As ausências esvaziam um evento que seria a primeira interação mais próxima entre Biden e os vizinhos da América Central e do Sul.

A relação nas Américas é crucial para os EUA em um momento de disputa global com a China. Pequim já é o segundo maior parceiro comercial da América Latina e o primeiro de países importantes, como o Brasil — onde a China superou os EUA em comércio já há uma década.

ma união de aliados improváveis. É o clima que ronda a aguardada reunião entre o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e o norte-americano Joe Biden, prevista para esta quinta-feira, 9.

Bolsonaro está em Los Angeles para a nona edição da Cúpula das Américas, organizada pelos EUA com líderes da região. Embora Biden esteja no cargo desde 2021, será a primeira vez que os mandatários das duas maiores economias das Américas se encontram.

O presidente brasileiro chega ao evento com muitas críticas vindas de Biden e da elite do Partido Democrata — do meio-ambiente ao apoio declarado ao ex-presidente e rival Donald Trump. Mas com os boicotes que antecederam a cúpula e a ausência de presidentes importantes, Bolsonaro se tornou, também, o principal mandatário presente.

Os EUA escolheram não convidar Venezuela, Nicarágua e Cuba, países que o governo norte-americano não considera como democráticos. A medida levou o México, que tem a segunda maior economia da América Latina (atrás do Brasil) e é um dos principais parceiros comerciais dos EUA, a boicotar a cúpula.

O presidente Andrés Manuel Lopes Obrador enviou somente seu chanceler. Presidentes de países como Bolívia, Guatemala e Honduras também não viajaram.

“A grande ironia é que, para Biden, sobrou como ‘troféu’ somente um aliado declarado de Trump”, diz André Kaysel, especialista em estudos latino-americanos no Departamento de Ciência Política da Universidade de Campinas (Unicamp).

Bolsonaro e Biden: primeiro encontro na gestão Biden entre as duas maiores economias da América Latina (Getty Images/Montagem Exame - Akos Stiller/Bloomberg e Al Drago/Bloomberg)

“Há essa necessidade política de engajamento dos Estados Unidos com o Brasil, que Bolsonaro pode ou não aproveitar”, diz Maurício Santoro, professor do Departamento de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Paulo Guedes: o melhor Ministro da Economia do mundo! É ou não é? Confira a entrevista com o canal Bloomberg!